domingo, fevereiro 20, 2011

Saudades de minha mãe- Lealdina

É triste dizer adeus, mas às vezes é necessário.
Não podemos prender a nós definitivamente as pessoas que amamos para suprir nossa necessidade de afeto.
O amor que ama, aprende a libertar.
Procuramos ganhar tempo para tudo na vida.
Mas a vida, quando chega no próprio limite, despede-se e é esse último adeus que é difícil de compreender e, mais ainda, aceitar.
Possuímos um conceito errado do amor.
Amar seria, no seu total significado, colocar a felicidade do outro acima de tudo, mas na realidade é a nossa felicidade que levamos em consideração.
Queremos os que amamos perto de nós porque isso nos completa, nos deixa bem e seguros.
E aceitar que nos deixem é a mais difícil de todas as coisas.
Não dizemos sempre que queremos partir antes de todos os que amamos?
Isso é para evitar nosso próprio sofrimento, nossa própria desolação.
É o amor na sua forma egoísta.
Aceitar um adeus definitivo é uma luta.
Se as perdas acontecem cedo demais ou de forma inesperada, o sentimento de desamparo é muito maior e a dor mais prolongada.
É o incompreensível casando-se com o inaceitável e o tudo rasgando a alma.
Essas dores poderão se acalmar, mas nunca se apagarão.
Mas quando a vida chega ao final depois de primaveras e primaveras e outonos e mais outonos, nada mais justo que o repouso e aceitar a partida é uma forma de dizer ao outro que o amamos, apesar da falta que vai fazer.
Não podemos prender as pessoas a nós para ter a oportunidade de dizer tudo o que queremos ou fazer tudo o que podemos por elas.
De qualquer forma, depois que se forem, sempre nos perguntaremos se não poderíamos ter dito ou feito algo mais.
Mas essas questões são inúteis.
O amor que ama integralmente não quer ver o outro sofrer e ele abre mão dos próprios sentimentos para que o destino se cumpra, para que a vida siga seu curso.
As dores do adeus são as mais profundas de todas.
Mas elas também amenizam-se com o tempo e um dia, sem culpa, voltamos a sorrir, voltamos a abrir a janela e descobrimos novamente o arco-íris da vida.
Depois da tempestade descobrimos um dia novo e o sol brilha de maneira diferente.
E talvez seja assim que aprendemos a dar valor à vida, aos que nos cercam; aprendemos a viver de forma a não ter arrependimentos depois e aproveitar ainda mais cada segundo vivido em companhia daqueles que nosso coração ama.



AUTORIA: Letícia Thompson

terça-feira, janeiro 04, 2011

Só podemos perder o que não temos

Só podemos perder o que não temos

Na última semana, terminei de ler um livro que um amigo muito querido me presenteou. Falava de auto-descoberta, auto-conhecimento – tratava de temas complexos sobre o expandir da consciência, ampliar o olhar sobre si mesmo – tudo banhado de espiritualidade e conceitos da psicologia. Enfim, dentre os inúmeros temas que pude revisitar ao ler esse livro, um em especial me chamou a atenção: a morte. Nesse capítulo o autor deixava claro um ponto que quero compartilhar com você: a questão da perda.
É verdade que toda perda é um processo dolorido, sofrido. Um processo que nos faz pensar e repensar, refletir sobre nossas vidas, nosso tempo, a forma como aproveitamos ou não esse milagre que é viver e se relacionar, estabelecer relações. Tudo isso faz sentido se ampliarmos o conceito da morte e compreendermos que morremos todos os dias e, renascemos todo amanhecer. A morte nada mais é que o fim de um ciclo e início de outro.
Desapego
E, se morremos, ou melhor, perdemos algo de um lado, de outro ganhamos com certeza. Morrer, romper, terminar, deixar – tudo isso demanda desapego, amor próprio, demanda o aceitar, confiar e agradecer o que recebemos. Um alento é saber reconhecer que só perdemos o que não temos. Explico: só perdemos o que não é nosso, não nos pertence, não agrega, não soma, não nos faz melhor.
Vou tentar clarear… Se só perdemos o que não temos – tudo o que temos levamos conosco. Sensações, emoções, sentimentos – tudo o mais é transitório. Isto é, se alguém próximo se foi, podemos sempre ficar com o que construímos. Com o que vivemos e experimentamos juntos. É de fato só isso o que temos – bons ou maus momentos.
Talvez por isso muitos afirmem que a felicidade é uma soma de bons momentos… Ser feliz é estar mais feliz do que triste no tempo que temos para administrar nessa passagem. O quanto antes conseguirmos entender que a vida é uma passagem, viver se tornará muito mais possível além de mais prazeroso, mais delicado.
Então, exercitar o desapego, o soltar as amarras e travas que nos distanciam do que temos de melhor – nós mesmos – ficará muito mais fácil. Saber o que temos é, por isso, parte do nosso crescimento. Do nosso auto-conhecimento, nossa auto-descoberta. E, para tanto, precisamos passar a olhar com os olhos da verdade, da beleza, da ética, do amor… No mais, tudo vai dar certo.
Máscaras
A questão é que, por vezes, temos tanto medo de olhar a nossa verdade que utilizamos diferentes artimanhas para nos afastar desse nosso centro. Vivemos assim com base no medo de sermos descobertos; na ilusão de que vamos conseguir enganar a todos, inclusive a nós mesmos e, nesse sentido, inflamos nosso ego, praticamos a vaidade, nos apegamos a uma imagem ou imagens que não podem ou jamais serão nossas.
Por isso sofremos. Sofremos nas nossas relações, na nossa existência. Afinal, bem no nosso íntimo sabemos que a máscara que tanto lustramos um dia cairá. E então vamos de uma única vez nos deparar com tudo o que fizemos para tentar tapar o sol com a peneira – a nossa alma, nossa essência – com os véus… Desiludimo-nos, perdemos o outro, perdemos a relação…
Em função de tudo isso fica aqui um convite: faça uma auditoria pessoal. Tente compreender o que é de fato seu e o que não é. Depois de tudo visto, liberte-se. A relação com certeza agradecerá… O outro e o seu ser também.

Colunista : Sandra Maia

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Sinal da Santa Cruz

Feliz Natal a todos e muita paz, amor e felicidades em 2011.

Quero aproveitar para registrar uma pergunta que me fizeram outro dia, coisa de católicos.
Como se faz o sinal da Santa Cruz.
Normalmente com a palma da mão aberta e o polegar voltado para o próprio rosto.
Com o polegar marcamos 3 cruzes e dizemos assim:
Pelo sinal da Santa Cruz (+ traça-se uma cruz na testa), livrai-nos, Deus, nosso Senhor (+ traça-se uma cruz na boca), dos nossos inimigos (+ traça-se uma cruz no coração).
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo amém. (sinal da cruz).

Felicidades!!!!

segunda-feira, outubro 18, 2010

O VOTO DO NORDESTE: para além do preconceito

VOTO DO NORDESTE: para além do preconceito


Tânia Bacelar de Araujo*


A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste
reacende o preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às
camadas mais pobres da sociedade brasileira e em especial face ao voto dos
nordestinos. Como se a população mais pobre não fosse capaz de compreender a
vida política e nela atuar em favor de seus interesses e em defesa de seus
direitos. Não "soubesse" votar.

Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o
"Bolsa Família" serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de
preconceito. E como a maior parte da população pobre do país está no Nordeste,
no Norte e nas periferias das grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga
25% das famílias atendidas pelo "Bolsa Família"), os "grotões"- como nos tratam
tais analistas ? teriam avermelhado. Mas os beneficiários destes Programas no
Nordeste não são suficientemente numerosos para responder pelos percentuais
elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos votos no MA, PI e
CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra 20% dados a
Serra).

A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta
região nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores,
parlamentares e candidatos a Presidente no Nordeste.

A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas
nacionais, valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte
do Estado nos anos 90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades
sociais e regionais do Brasil. E isso é bom para o Nordeste.

Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela "inserção competitiva" do
Brasil na globalização - que concentra investimentos nas regiões já mais
estruturadas e dinâmicas e que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de
Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na
produção e consumo de massa, o que favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção
competitiva, o Nordeste era visto apenas por alguns "clusters" (turismo,
fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro...) enquanto nos anos recentes a
maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizaram, fazendo a região ser
revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.

Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas
sociais, política de reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação
significativa do crédito, teve impacto muito positivo no Nordeste. A região
liderou - junto com o Norte - as vendas no comercio varejista do país entre 2003
e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu investimentos para a região. Redes de
supermercados, grandes magazines, indústrias alimentares e de bebidas, entre
outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo tempo em que as pequenas e
medias empresas locais ampliavam sua produção.

Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica
econômica regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em
construção e mais duas previstas) e em patrocinar - via suas compras - a
retomada da indústria naval brasileira, o que levou o Nordeste a captar vários
estaleiros.

Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em
infra-estrutura - foco principal do PAC - que beneficiou o Nordeste com recursos
que somados tem peso no total dos investimentos previstos superior a
participação do Nordeste na economia nacional. No seu rastro,a construção civil
"bombou" na região.

A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de
ensino profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial
cidades médias de seu interior. Merece destaque ainda a ampliação dos
investimentos em C&T que trouxe para Universidades do Nordeste a liderança de
Institutos Nacionais ? antes fortemente concentrados no Sudeste - dentre os
quais se destaca o Instituto de Fármacos ( na UFPE) e o Instituto de
Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do
cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira ?cidade da
ciência? num dos municípios mais pobres do RN ( Macaíba).

Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era
inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e
outros programas e instrumentos de política foram criados ( seguro ? safra ,
Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar,
entre outros) e o recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base
familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do
valor da produção agrícola nacional. E o Nordeste se beneficiou muito desta
política, pois abriga 43% da população economicamente ativa do setor agrícola
brasileiro.

Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9%
de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada
para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.

Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas
da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da
submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto-
confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas
estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados - alguns ainda
incipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é
só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma região plena de
potencialidades.

*Tânia Bacelar de Araujo é especialista em desenvolvimento regional, economista,
socióloga e professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal
de Pernambuco).

quinta-feira, outubro 14, 2010

UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA E CONSCIÊNCIA PESSOAL.

De um tempo para cá, só tenho recebido e-mails mostrando contradições e erros do governo de LULA. Claro que tenho que aceitar a maior parte da crítica (menos as mentirosas) e concluir que o grupo de LULA não é bom para governar o país. Dilma é continuidade e, por tanto, deveria ser evitada.

Este ano, 2010, tivemos dois candidatos nos quais, em principio, poderíamos votar: Marina e Plínio de Arruda. Mas a certeza estatística de que a eleição seria disputada entre Dilma e Serra, me fez tomar a decisão de escolher, ente os dois, aquele que considerei, neste momento, menos ruim, tendo em vista o contexto político do país, ou seja, Dilma.

POR QUÊ?

Nossa sociedade sempre foi dirigida por uma elite de aproximadamente 5% da população, composta, principalmente, dos políticos e grandes empresários, que controlam a mídia e através dela fazem um trabalho competente, mas muitas vezes sem ética, de formação da consciência da classe alta, média e da classe mais empobrecida. Por isso é que os candidatos comprometidos e defendidos por esse grupo venceram as eleições até 2000, mantendo o grupo no poder. Uma parte das leis e da administração do país sempre privilegiou os interesses dessa elite, e a prova disso é que o Brasil, sendo um dos países com uma das maiores riquezas de solo e subsolo do mundo é, até hoje, um dos países com uma distribuição de renda das mais desiguais do mundo. A eleição de Lula foi uma exceção no Brasil. Pela primeira vez foi eleito um presidente contra a opinião da mídia e da elite dirigente. Por isso, ele se tornou uma esperança do povo e um desafio para a elite. É verdade que, para os que analisam a conjuntura com um pouco mais de profundidade, ele passou, com o tempo, a representar uma fonte de incoerência e decepção.

E POR QUE AINDA VOTAR NA CONTINUIDADE DE LULA?

É comprovado que psicologicamente acontecimentos presentes mexem muito mais com a gente do que acontecimentos do passado, mesmo que estes sejam até mais fortes. Portanto devemos rever o passado com mais atenção, fazendo uma análise fria e imparcial dos fatos principalmente se a decisão conseqüente implica na modificação da qualidade de vida das pessoas marginalizadas e sem vez da nossa sociedade.

Para que esta análise imparcial seja mais bem fundamentada lembramos a vocês alguns acontecimentos do passado recente, ocorridos no governo de FHC, que a imprensa faz questão de esquecer:

SIVAM: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.

PASTA ROSA: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos: Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o "socorro" aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de; 25 deputados subornados pelo Econômico.

PRECATÓRIOS: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (Dner). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.

COMPRA DE VOTOS
: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.


DESVALORIZAÇÃO DO REAL: Num nítido estelionato eleitoral, o governo promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar, socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam – ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.

PRIVATARIA: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros, Ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio a Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Árida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a instalação da CPI.

CPI DA CORRUPÇÃO: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera federal, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, da privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro Eduardo Jorge. A sujeira no ninho tucano novamente ficou impune.

EDUARDO JORGE
: Secretário geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa dois para a reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a "falta de ética" do governo Lula.

CPIs SABOTADAS: FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as CPIs. Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de "engavetador geral". Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC. Nada foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos.

Muitas outras corrupções ocorreram no governo de FHC. Quase todas elas têm uma característica em comum: as CPI´s NÃO FORAM AVANTE, os envolvidos não foram indiciados e hoje nem a Lei da Ficha Limpa os atinge.

POR QUE?

O governo de FHC era fortalecido pelas elites e pela mídia, que permitiam o bloqueio das CPI´s e da ação da Policia Federal, CGU, Ministério Publico etc...

O governo de LULA quis fazer a mesma coisa e recebeu, de saída, uma CPI que indiciou seus principais líderes que hoje terão que se submeter à lei da Ficha Limpa (muito bom, é o que devia ser feito com qualquer um que pratique a corrupção). A partir daí o governo não teve mais força de bloquear a ação dos órgãos públicos de fiscalização que passaram a atuar bem melhor, conforme dados abaixo:

CGU: A Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais (desde 2005) e promoveu 6 mil auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos de apuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC, a Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de investigação.

POLÍCIA FEDERAL no governo de Lula o número de Policiais Federais passou de 5mil para 11mil, isso permitiu que a PF executasse 183 operações contra a corrupção, o crime organizado, a lavagem de dinheiro etc..., que resultaram em 2971 prisões, não importando a classe social e a posição das pessoas presas, contra apenas 20 operações no governo de FHC que levaram a apenas 54 prisões.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL funcionou muito mais do que na época de FHC.

Pelo exposto, podemos concluir que a elite pode atuar como CONIVENTE (associada) ou FISCAL dos atos do Presidente da República.

Partindo das premissas, abaixo, subjacentes a esta análise:

Se Dilma fez parte ativa do grupo de Lula, o seu governo praticará atos semelhantes.

Se Serra fez parte ativa do grupo de FHC, o seu governo praticará atos semelhantes.

Fica fácil concluir que qualquer um dos dois candidatos que seja eleito precisa ser muito bem fiscalizado.

Um governo de Serra iria “jogar solto”, pois a elite é conivente com ele, enquanto que o governo da Dilma iria ser questionado e fiscalizado, e é do questionamento e da discussão que aparecem soluções novas para a sociedade (um exemplo é a lei da Ficha Limpa) e nunca de situações em que o erro é competentemente camuflado, fazendo reinar uma aparente situação de paz na sociedade.


Fonte: Via e-mail