quinta-feira, outubro 19, 2006

O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?

O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?


Paulo Henrique Amorim


Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista
Carta Capital que está nas bancas (“A trama que levou ao segundo turno”),
de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: “A radiografia da
imprensa brasileira”.

Fica ali demonstrado:

1) As equipes de campanha de Alckmin e de Serra (da empresa GW)
chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos
presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;
2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma
ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de
S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;
3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas
para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;
4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional
para entregar as fotos: “Tem de sair à noite na tevê., Tem de sair
no Jornal Nacional”;
5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;
6) No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o
avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a
informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;
7) Ali Kamel, “uma espécie de guardião da doutrina da fé” da
Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de audio e disse: “Não
nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos”, diz
Kamel, segundo a reportagem
8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70%
das 891 ambulancias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por
José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da
Saúde, Barjas Negri.
9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo (clique aqui) em que
aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das
ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;
10) A imprensa omitiu a informação de que o procurador da
República Mario Lucio Avelar é o mesmo do “caso Lunus”, que detonou
a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. (
A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas
a campanha já tinha morrido.)
11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do
Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não
deveria ter mandado prender;
12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do
dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em
flagrante de delito.
13) Que o Procurador Avelar declarou: “Veja bem, estamos falando de
um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais
nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro ?”
14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: “Os
petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que
possam ter cometido.”


Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox
Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: “ ...
dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O
escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da
familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao
qual o presidente não compareceu.”

Quer dizer: o golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui
no IG (http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe
de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra
Lula. “A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca,”
diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para Governador de Leonel
Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno,
agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de
Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O
golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de
parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como
agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião
pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola “ganhou a eleição duas vezes: na lei
e na marra”, como, modestamente, escrevi no livro “Plim-Plim – a peleja de
Brizola contra a fraude eleitoral”, editora Conrad, em companhia da
jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.

Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São
Paulo !).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do
programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola
aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: “Cadê
o papelzinho ?”, que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro
Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de
entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da
candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem.


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